Globo, carro, celular

epoca
(clique na imagem para ampliá-la)

O anúncio acima estava na revista Época, que eu recebi gratuitamente no último fim de semana (oferta de uma empresa de telefonia que quis fazer um “agrado”). Entre os anúncios, 8 páginas eram dedicadas aos automóveis, 8 às Organizações Globo (Fundação Roberto Marinho, canais e revistas da Globo) e 6 às empresas de telefonia celular.

É impressionante como a distância entre propaganda e mentira é cada vez menor. Para vender um carro, por exemplo, é necessário descontextualizá-lo totalmente. Repare no cenário acima: tudo que o carro impede quando é transformado em modelo único de locomoção está lá: a praça, o passeio, o ciclista, o céu azul…

Não existem propagandas com carros em congestionamentos monstruosos, céus poluídos, ciclistas espremidos, pedestres amedrontados…

Outro detalhe interessante: quase todos os anúncios de automóveis trazem os veículos com os vidros pretos. Apesar de ilegal, escurecer totalmente o vidro (principalmente o dianteiro) é fetiche generalizado na sociedade que trocou a convivência pelo isolamento, a praça pela grade e a janela pela tela da televisão.

9 Comments

  1. Anonymous
    Posted 04/10/2005 at 21h53 | Permalink

    O mais feliz da foto é o ciclista. Talvez se deva ao fato de só estar vendo um carro. 🙂

  2. michelhttp://emoutraspalavras.bookcrossing.com
    Posted 05/10/2005 at 4h16 | Permalink

    Todos vêem, mas só alguns enxergam. Argumentação perfeita.

  3. michel
    Posted 05/10/2005 at 4h16 | Permalink

    Todos vêem, mas só alguns enxergam. Argumentação perfeita.

  4. ciclista revoltado
    Posted 05/10/2005 at 11h21 | Permalink

    Carro = Celular = Capitalismo

    é tudo farinha do mesmo saco
    é uma pena que as pessoas caiam tão facil nisso =/

  5. Wadilsonhttp://www.wde.com.br/bike/passeios.htm
    Posted 06/10/2005 at 13h55 | Permalink

    trabalho com propaganda e comunicação há quase 20 anos… pelo pouco que vi e pela minha experiência, eu vos digo: nunca foi diferente.

  6. Wadilson
    Posted 06/10/2005 at 13h55 | Permalink

    trabalho com propaganda e comunicação há quase 20 anos… pelo pouco que vi e pela minha experiência, eu vos digo: nunca foi diferente.

  7. Willian Cruzhttp://freeride.blig.ig.com.br
    Posted 19/10/2005 at 12h24 | Permalink

    Na verdade o que essa propaganda está fazendo é desconstruir as coisas boas das quais o carro te isola, transformando-as em coisas ruins!

    Vejam:
    – O cara sentado no banco está com um monte de pombas EXATAMENTE em cima dele. No site dá pra ver o que acontece: as pombas cagam e ele abre um guarda-chuva. Era melhor ele estar protegido em um carro.
    – O poodle da moça vai ser brigar com o pit bull do rapaz. Era melhor eles estarem isolados em um carro.
    – Tem um piano caindo em cima do gato que está na calçada. Acho melhor ele comprar um carro.
    – A moça que está na calçada de roupas claras, admirando o céu azul, vai levar um banho de água da bicicleta que está vindo na contra-mão (pô, malditas bicicletas…).

    O carro é o único elemento ativo do anúncio que não sofre com nada. Ele não se abala. Continua ali, seguro, firme, forte, limpo, bonito e um privilégio de poucos. Pobres pessoas que andam ao ar livre!

  8. Willian Cruz
    Posted 19/10/2005 at 12h24 | Permalink

    Na verdade o que essa propaganda está fazendo é desconstruir as coisas boas das quais o carro te isola, transformando-as em coisas ruins!

    Vejam:
    – O cara sentado no banco está com um monte de pombas EXATAMENTE em cima dele. No site dá pra ver o que acontece: as pombas cagam e ele abre um guarda-chuva. Era melhor ele estar protegido em um carro.
    – O poodle da moça vai ser brigar com o pit bull do rapaz. Era melhor eles estarem isolados em um carro.
    – Tem um piano caindo em cima do gato que está na calçada. Acho melhor ele comprar um carro.
    – A moça que está na calçada de roupas claras, admirando o céu azul, vai levar um banho de água da bicicleta que está vindo na contra-mão (pô, malditas bicicletas…).

    O carro é o único elemento ativo do anúncio que não sofre com nada. Ele não se abala. Continua ali, seguro, firme, forte, limpo, bonito e um privilégio de poucos. Pobres pessoas que andam ao ar livre!

  9. Anonymous
    Posted 20/06/2006 at 14h03 | Permalink

    pobres pessoas que caem nessa arapuca.

    pobres de nós, que consequimos enxergar isso e somos obrigados a conviver na mesma arapuca.
    : (