A aberração é unânime: todos os jornais ditos “sérios” possuem uma (ou mais) páginas dedicadas à vida dos ricos, famosos e poderosos. E às vezes é bom dar uma olhada nestas páginas para ver o que pensam as pessoas que andam de helicóptero e adorariam morar em Paris (só não vão porque o custo dos escravos domésticos é muito mais alto naquelas paragens).
Na coluna social do Estadão de 2 de março deste ano, o autor disserta sobre o corredor de ônibus da Rebouças, que facilitou a vida de milhares de pessoas ao tornar o transporte público coletivo rápido e eficiente: “O grande erro inicial foi mexer na Rebouças que, se era péssima, agora virou impraticável. Os motoristas fogem dela e se refugiam tanto em Pinheiros como no Jardim Paulistano. Eta projeto ruim aquele!!! Inoportuno, ineficaz, mal acabado e caro!”. E termina em tom de ameça: “Não vamos esquecer….”.
Projeto “ruim, inoportuno e ineficaz” para quem, cara pálida? Para os motoristas de Pinheiros e do Jardim Paulistano, que possuem mais carros do que gente em suas casas, entopem as ruas da cidade diariamente até para ir à padaria, mas não querem trânsito na porta de suas casas? Ou para as milhares de pessoas que dependem do transporte público ou escolheram se locomover pela cidade de maneira mais inteligente e sustentável do que os esbanjadores que não vivem sem um “valet park”?



7 Comments
“coluna social”
social my ass.
Perfeito. Citei no Blogoleone.
http://blogoleone.blogspot.com/
o mesmo fofoqueiro de elite que fez propaganda disfarçada de reportagem sobre o Expresso Tiradentes com participação especial de kassab e frederico bussinger (programa planeta cidade, tv cultura)
Naquela ocasião bussinger fez piada com a tragédia do metrô.
Para acessar o link, tem que ser assinante. Mas, pelo visto, não perdi nada.
Não é o César Giobi, um babaca que agora também tem programa na TV cultura, ou seja, ainda ganha do Estado para fazer a propaganda disfarçada de reportagem? A cara do sujeito é medonha… overdose de botox.
É tão absurda a “ineficácia” do projeto, que sem ele os “escravos domésticos” da elite, que moram a km e km da casa do senhorio não chegariam até lá se não houvesse esse famigerado sistema de transporte coletivo abominável.
O caminho é cada vez mais atualizar o meio de transporte.