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Os urubus e a carniça

(estímulo à irresponsabilidade em jornal qualquer)

Uma coletânea rápida de notícias da última semana:

– Motorista atropela sete pessoas da mesma família; cinco morrem
– Motorista atropela pedestre na região central de SP
– Atropelamento deixa uma pessoa morta e congestiona a 23 de maio
– Acidentes matam três em estradas de MG
– Morador de rua que dormia sob túnel morre atropelado em SP
– A morte dos super-homens
– Policial rodoviário é atropelado ao ajudar vítima em SP

O uso de automóveis é a principal causa de mortes de crianças e jovens no mundo e a principal causa de óbitos no trânsito paulistano. Os carros tiram a vida de 1 milhão de pessoas a cada ano em todo o planeta.

Será que as atuais campanhas de educação no trânsito adiantam alguma coisa em uma sociedade que não impõe restrições aos automóveis, ou não passam de paliativos e estratégias de marketing para encobrir as razões do genocídio?

Será que a responsabilidade por uma morte no trânsito é apenas do motorista homicida? Ou será que a indústria automobilística e todo o lobby a ela associado também têm uma fatia de culpa ao fabricar máquinas de guerra travestidas de dispositivos de transporte e propagandeá-las como símbolos de poder e liberdade?

Os fabricantes, que vivem barganhando incentivos e benefícios dos governos, não arcam com os custos das mortes, não pagam indenizações às vítimas, não pagam o patrimônio público destruído, o conserto dos carros, a franquia do seguro, o guincho, o tratamento psicológico ou fisioterapeutico dos acidentados…

Mais canalha ainda é a política dos fabricantes em relação aos ítens de segurança, tratados como “opcionais”.

Na terra de Senna, Piquet e Fitipaldi, os “pilotos” nunca acreditam que estarão envolvidos em um “acidente”. Em vez de “optar” pelo freio ABS, preferem um sistema de som “maneiro” para aliviar o tédio das horas que fica parado dentro de seu “possante”.

No entanto, é cada vez mais raro encontrar um paulistano que não conhece alguém que perdeu a vida em um “acidente”.


BMW que “voava baixo” em estrada alemã
(foto: Douglas D. / car-accidents.com)

É muito difícil dirigir um carro seguindo todas as regras de condução segura. A velocidade e a potência dos automóveis são, por natureza, assassinas e de difícil controle. Cabe ao motorista consciente apenas tentar impedir que as bolhas metálicas de duas toneladas manifestem o que lhes é inato.

A tarefa de dirigir com segurança não é fácil. Principalmente no atual quadro de imobilidade das grandes cidades, onde o motorista, em sua máquina que “voa baixo”, não consegue sair do lugar por causa do congestionamento.

A sensação de “anda e para” se traduz geralmente em angústia e raiva contra tudo e contra todos. Assim que o trânsito fica livre, o motorista tende a descontar as horas perdidas “pisando fundo”.

Se somarmos este quadro ao uso livre de celulares ao volante, às películas que escurecem o vidro dificultando a visão, à total ausência de multas por infrações que dizem respeito à segurança de pedestres e ciclistas e à absurda facilidade de tirar uma carteira de habilitação, fica mais fácil compreender as razões das mortes.

Enquanto o urubu que lucra com a carniça continuar a ser visto como o beija-flor que vende liberdade, pouco irá mudar no “genocídio acidental” que varre o planeta.

5 Comments

  1. João Guilherme
    Posted 31/05/2007 at 4h52 | Permalink

    A mania de monitorar o trânsito nas grandes cidades com câmeras pode ser util para ver como agem as maquinas de moer carne…

    http://transito.4shared.com/

    Na seção videos
    Mad_Intersection_in_Russia.wmv
    Túnel na Rússia.wmv

  2. Fabio
    Posted 31/05/2007 at 14h31 | Permalink

    Parabéns pelo blog, muito bom! Realmente esquecemos como nos transformamos em máquinas de destruição em massa ao dirigir um carro.

  3. Claudio
    Posted 01/06/2007 at 0h53 | Permalink

    Ludista !

    Sou motorista ha quase 20 anos e até hoje nunca me envolvi em acidentes sérios, na realidade apenas 2 batidinhas fracas, por pura desatenção, que não causaram maiores transtornos.Tenho carro, que fica com minha esposa o dia inteiro e vou trabalhar de onibus.Sou preguiçoso demais para andar de bicicleta, alem de medroso com relaçao a segurança.Procuro parar nas travessias de pedrestres, qusndo eles estão na faixa, o que convenhamos, é raro.Moro prto de um shoping na zona oeste, e quando vou atravessar forço a barra para os motoristas pararem para que eu e minha familia, assim como as outras pessoas que estão junto, do mesmo modo que eu paro na mesma faixa quando estou de carro, o que causa um certo transtorno ao transito, porque, enquando eu estou parado e as pessoas atravassando, os outros motoristas ficam buzinando atras.Fui para Petrolina em 2001 e fiquei surpreso com a educação do povo lá.Parece mentira, mas é só o pedestre colocar o pé na faixa que todos os carros param.E ai de quem não parar…é multa e uma bela bronca do guarda, e sempre tem guarda ! Quem dera São paulo fosse assim.(contina)

  4. Claudio
    Posted 01/06/2007 at 0h57 | Permalink

    As vezes fico imaginando, no caminho de casa pro trabalho, quando vejo alguns ciclista disputando espaço com onubus, se não seria no minimo, civilizado, que todas as avenidas tivessem ciclovia.
    Av. Jaguaré, Av. Politecnica, na 23 do centro até o aeroporto, com acesso ao CCSP…espaço nessas avenidas tem…desculpe ocupar o espaço, mas tava a fim de falar algo…acompanho o site, desde o concurso de blogs que voces venceram com honras…e espero que melhore cada vez mais.

  5. João Carlos Lourenço
    Posted 29/07/2008 at 18h18 | Permalink

    Gostei do conteúdo que li e ponho aqui minhas observações. Dirijo há quase trinta anos e apenas dois pequenos acidentes, pequenos danos, um por minha culpa. E acidentes acontecem poucos, se analisarmos as características dos motoristas. Nem vou entrar em detalhes quanto a velocidade. Já foi dito e muito bem, no artigo acima. Mas, em um ponto crucial: os motoristas batem seus carros não por excesso de velocidade, mas pelo mínimo conhecimento que têm de direção. Os acidentes acontecem muitas vezes pelo encontro do incauto com o afoito. As lições básicas de trânsito estão sendo desrrespeitadas muito mais por ignorância do que por qualquer outro motivo. Placas como preferencial, rotatória, terceira faixa, simplesmente são igonoradas pela maioria. Não dar sinal, fazer “tomada de curva” para dobrar esquina (em baixa ou alta velocidade), espelho retrovisor mal arrumado, porta aberta, não saber pegar velocidade para entrar em via mais rápida, dar passagem por gentileza, aumentar a velocidade quando vai ser ultrapassado, passar no início do sinal vermelho, parar com carro engatado e ficar pisando na embreagem, etc e tal. Um dia de trânsito em uma cidade grande é o suficiente para observarmos estas e muitas outras coisas absurdas, significando que o condutor do veículo desconhece o que conduz e as regras que foram feitas para que ele seja responsável. Não adianta controlar a velocidade com radares se o sujeito nem sabe que o carro mil dele chega a cem por hora em quinze segundos. O ensino do dirigir tem que ser melhorado e muito. Realmente, tirar carta é fácil. E, pior, o que não consegue, comprar!
    Abraços

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