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Eu fico com a pureza das crianças

Dizem que uma das principais funções dos jornais é embalar peixe na feira. As árvores transformadas em notícia também podem servir para forrar o chão durante reformas ou pinturas.

Nos exemplares de domingo, os eucaliptos consumidos servem como suporte para uma divisão que chega a 80% de propaganda e 20% de notícia. Os anúncios pelos quais os assinantes ou compradores de banca pagam ao levar um jornal para casa estão divididos em dois grandes blocos: apartamentos e carros.

A indústria da especulação imobiliária tem consumido mais páginas dos periódicos nos últimos tempos. Característica sazonal, já que até o ano passado o jornal de domingo era um grande outdoor de veículos.

Sempre criativa, a publicidade em jornais busca sempre novos formatos para fazer com que os anúncios não deixem de ser vistos.

O formato “embrulho de peixe” não deixa alternativas ao leitor: você será obrigado a ver os dois sonhos de consumo da cidade que parou no trânsito e agora sonha com helicópteros.

Mas ainda resta um pouco de vida inteligente no meio de tanta propaganda. Um dia antes, o suplemento infantil do mesmo jornal-peixe pegou carona no hype do trânsito e deu voz àqueles que ainda têm poucos anos de vida contaminados pela publicidade.

Felipe Marques, 9 anos: “se pudesse escolher uma forma de ir à escola, seria de bicicleta ou à pé, porque não poluem a cidade”.

Larissa La Scalea, 10 anos: “é assim, observando o ritmo dos faróis, das pessoas e do movimento da rua que Larissa vai caminhando (ou passeando) até a escola. ‘Eu moro perto, em dez minutos já estou em casa.’. Quando ela encontra alguns amigos no caminho, o percurso fica mais divertido. Mas se ela morasse longe da escola, gostaria de ir de metrô ou ônibus. ‘Acho muito divertido'”.

Francisco Scavone, 10 anos: “Nada de esperar a mãe para buscá-lo na escola, ir de carona com algum amigo ou de perua. Quando o sinal toca, ele e o irmão vão para o ponto de ônibus. Lá esperam a condução e rapidinho já estão em casa. ‘Quando eu ficar um pouco mais velho, vou para a escola de bicicleta. É muito mais divertido'”.

De bicicleta para a escola – Kloosterveen, Holanda

12 Comments

  1. Posted 14/04/2008 at 18h00 | Permalink

    A gente tem que ir para as escolas dar palestras e encher a cabeça dessas crianças para quando crescerem e começarem a ser bombardeadas pelas propagandas de carros, elas não se deixem iludir.

    Parabéns pela matéria, quero educar meu filho para ele ser um dos nossos agentes infiltrados… rs

  2. Posted 15/04/2008 at 0h22 | Permalink

    Ainda sobre propaganda, sabe o que muito me ofende?
    É uma tal propaganda da petrobrás (ou sHELL, sei lá) onde um locutor enche a boca (possivelmente de cocô) para dizer, cheio de ênfase, que ‘brasileiro é apaixonado por carro’.
    Se para ser brasileiro tenho que ser assim, peço (junto com o F. Gabeira)encarecidamente: por favor, retirem-me da lista.

    Muita coincidência:
    Sobre ir à escola, justamente amanhã (15/04/08) começo uma atividade aqui em JF que envolve ir a colégios conversar com os alunos sobre as possibilidades do transporte feito com bicicleta. Amanhã serão duas salas de oitava série em um renomado colégio da cidade (Pedro II). Muito do que vou falar amanhã é assunto que foi comentado aqui ou no TA.
    Adivinhem quais sítios vou recomendar às crianças no final da conversa?
    Ciclo-abraços.

  3. Danilo
    Posted 15/04/2008 at 9h33 | Permalink

    É por essa e outras que deixei de consumir o “papel de peixe” in natura. Agora só leio via internet. Por enquanto consigo filtrar a publicidade e evito incentivar o corte de árvores. Para revistas utilizo a mesma técnica, só leio as versões eletrônicas. Muitas vezes é mais barato assinar o conteúdo e, em muitos casos, é de graça 😉

  4. Posted 15/04/2008 at 12h53 | Permalink

    onde se vê Pedro II leia-se João XXIII.
    a aula foi massa.
    espero que eles tenham gostado
    3 turmas diferentes de umas 30 pessoas cada, com entre 13 e 15 anos.
    depois talvez poste um relato, tempo tá curto.
    : -)
    abraços.

  5. Leandro
    Posted 15/04/2008 at 15h58 | Permalink

    Caramba, espero não parecer ridículo, mas eu me emociono ao ver aquelas ciclovias na Holanda, com tanta gente (simplesmente todo mundo!) indo levar os filhos para a escola de bicicleta… E reparem na harmonia nos cruzamentos, mesmo com “tráfego pesado”, hehe… O comportamento é outro, a cordialidade impera, as velocidades são menores e os riscos de colisões, mínimos. Eu também venho pensando, há tempos, que o melhor mesmo é concentrar os esforços de “catequese” dos motoristas (para a causa ciclística) entre as crianças e os jovens, até uns 15 anos, antes de se tornarem casos perdidos…Aliás, como se dá esta transformação? Onde tudo se perde? A transformação da criança ou adolescente que adorava andar de bicicleta em um motorista irresponsável que simplesmente ignora o ciclista andando próximo à guia? Quem são os culpados?

  6. Posted 15/04/2008 at 16h24 | Permalink

    Para o Leandro:
    alguns artigos – em inglês – explicam como se dá a iniciação e o vício em carros, desde quando a criança ainda está no berço. Separei uns dois muito bons, mas não estão aqui agora. Mando para o Thiago depois. Alias, o Andy Singer tem um CARtoon qu explica isto. Bloga esta Cartoon aí, Thiago!!

  7. Posted 15/04/2008 at 19h04 | Permalink

    Denir, tava aqui já: http://apocalipsemotorizado.net/2007/07/25/dia-de-solidariedade-ao-motorista/

    É esse?

  8. Posted 15/04/2008 at 19h35 | Permalink

    Leandro, eu me emocionei quando vi isso aqui:
    http://www.triobike.com/

    Dá pra desmontar e usar só a bike, só o trailer (como se fosse um carrinho de bebê bem grande) ou o conjunto completo. Fiquei morrendo de vontade de usar por aqui, mas em São Paulo isso ainda é muito arriscado para a criança que vai ali dentro (um dia melhora, tenho fé).

    Tem muitos tipos de trailer, tem até uns que envolvem a bike fica quase parecendo um carro. Dá uma olhada nessa página (em alemão, mas as fotos valem):
    http://www.fietskarinfo.nl/

  9. Leandro
    Posted 16/04/2008 at 11h30 | Permalink

    Caros Denir, Willian e Thiago,
    Uso o espaço dos comentários para agradecer as respostas. Denir, quando tiver fácil, por favor mande os textos para mim também (leandrovalverdesarrobagmailpontocom). Muito bom o cartoon do Singer, como sempre.
    Eu sonho em levar meus (futuros) filhos de bicicleta para a escola. Mas, sinceramente, não sei se me sentirei seguro para fazer isso algum dia em Sâo Paulo. Talvez tenha que esperar para levar meus netos, ou então mudar de cidade… Em Hamburgo (Alemanha), passei perto de uma escola no horário de saída dos alunos. No lugar de cada carro em fila dupla que veríamos numa situaçao dessas aqui em São Paulo, havia pelo menos uns 5 pais ciclistas – com direito a estes carrinhos, Willian – que “rebocavam” os pequenos de bike, como um cara que acomodou seu casal de filhos num aconchegante carrinho para duas crianças, com direito a proteção contra o frio e tudo mais. Quem é que em sã consciência colocaria uma criança para andar num troço desses aqui em São Paulo? (Willian, acho que a opção de levar na frente, como a que vc mostrou, pode ser um pouco menos temerosa, mas ainda assim arriscada, não? Imagino que você tem muita vontade de levar seu filho na sua bike, seu veículo do dia-a-dia, mas tem medo, como eu teria…)
    Abraços,
    Leandro.

  10. Gunnar
    Posted 16/04/2008 at 18h31 | Permalink

    Leandro, entenda, isso acontece porque os alemães são muito pobres, não têm dinheiro para comprar carro…

  11. Gunnar
    Posted 16/04/2008 at 18h33 | Permalink

    Enquanto isso, a FOLHATEEN ocupa suas páginas com depoimentos, dicas e reportagens sobre o “momento da independência” , o sonho de todo jovem, o rito de passagem para a vida adulta: tirar a CNH.

  12. Posted 22/04/2008 at 19h31 | Permalink

    O brasileiro tenta ser americano. Se ao menos tentasse ser europeu, seria menos mau (pelo ponto de vista de mobilidade e políticas públicas de transporte).