O preço do trabalho no Brasil

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Recentemente o prefeito José Serra proibiu a colocação de cavaletes de propaganda nas esquinas. As peças publicitárias que indicavam aos motoristas a direção de apartamentos à venda atrapalhavam a circulação de pedestres e degradavam a cidade. Em um país onde o trabalho vale muito pouco e a dignidade menos ainda, as soluções comerciais beiram o absurdo e lembram os tempos de escravidão.

Kátia, 21 anos, desempregada, passa o domingo segurando uma placa. Das 9h às 17h30 a moradora de Itapecerica da Serra fica parada em uma esquina nobre da capital debaixo do sol. Meia hora de almoço e 30 reais no bolso ao final do dia. A refeição não está incluída no “salário”, mas seus benevolentes patrões fornecem um sanduiche e um suco para que ela mantenha a saúde no papel de “cavalete humano”.

O deslocamento até o local de trabalho também fica por conta de Kátia, que leva mais de 1h30 para voltar para casa, já que o transporte público é reduzido significativamente aos domingos. A jovem não reclama do trabalho, mas diz que preferia quando entregava panfletos de apartamentos nos semáforos: “era mais divertido, pelo menos eu via gente”.

3 Comments

  1. Michel
    Posted 25/10/2005 at 14h09 | Permalink

    Não gosto dessa separação entre “empregados” e “desempregados”, há muita gente entre uma coisa ou outra, eu inclusive. Ela, por exemplo, faz um trabalho casual, o que tem muitas desvantagens, o que você já expôs. Mas tem vantagens também: não tem vínculos, patrão, metas, pressão psicológica, assédio sexual, fofocas, inveja, competição (uma palavra santificada nos negócios, mesmo quando você se vê competindo com velhos amigos para manutenção do emprego)…

  2. Alex Mendes
    Posted 26/10/2005 at 5h05 | Permalink

    Putz é foda mesmo, capitalismo selvagem e publicidade agressiva realmente são uma merda. Parabéns pelo blog a propósito.

  3. michel
    Posted 26/10/2005 at 14h15 | Permalink

    A Vivo aqui do Rio mandou a maioria dos seus funcionários embora e os recontratou (isso mesmo, os mesmos funcionários), terceirizados. Hoje, eles ganham 70% do que ganhavam para fazer a mesmíssima coisa. Isso é ilegal, imoral, degradante… É claro que não saiu nem uma notinha sobre isso em lugar nenhum.