Lixo e publicidade

Redundância ou pleonasmo?

Quem anda a pé pela avenida Paulista notou que centenas de lixeiras parecem ter brotado ao longo dos 2,7km de calçadas esburacadas.

A concentração de lixeiras em alguns pontos faz o pedestre suspeitar de alguma experiência antropológica, um estudo para ver se o cidadão joga o lixo no lixo quando a cidade dispõe de estruturas adequadas (ou em excesso).

Segundo a subprefeitura da Sé, o fato não está relacionado com estudos acadêmicos. Com dinheiro público, foram instaladas 200 novas lixeiras de um lote de 5 mil previstas para a região central.


Será que banca de jornal tem braços?

Ainda que a disposição de algumas lixeiras seja duvidosa e muitas vezes, digamos, redundante, a iniciativa seria muito bem-vinda…

Seria, pois uma pulga resiste atrás da orelha quando relacionamos as lixeiras da Paulista com outro projeto de “limpeza” em curso na cidade: o programa “Cidade Limpa”, que visa remover a publicidade em outdoors e (adivinhe) instalá-la apenas no mobiliário urbano da capital.

O programa “Cidade Limpa” tem duas etapas. A primeira, em vigor desde o começo do ano, pretende remover a publicidade exterior de outdoores e fachadas. A segunda, que já começou a ser discutida, irá privatizar todo o mobiliário urbano da capital, oferecendo-o a uma empresa de grande porte (provavelmente a francesa J.C Decaux ou a estadunidense Clear Channel).

Na melhor das hipóteses, uma ou duas gigantes brasileiras do setor conseguirão uma fatia da grande superfície para exibir as criativas “peças” de seus empregados.

Com toda a publicidade restrita ao mobiliário urbano, fica mais fácil entender a razão de 200 lixeiras terem brotado do dia para a noite nos 5,4km de calçadas da avenida mais importante da capital.


(clique nas imagens para ampliá-las)

18 Comments

  1. Anonymous
    Posted 28/03/2007 at 10h29 | Permalink

    Não entendi o post.
    Não vi relação entre uma coisa e outra.

  2. gordin
    Posted 28/03/2007 at 12h13 | Permalink

    é como diz aquele velho ditado: ninguém dá ponto sem nó.

  3. Vinícius
    Posted 28/03/2007 at 12h53 | Permalink

    É verdade, ninguém dá ponto sem nó.
    Aqui em BH, é possivel andar da Savassi até o Centro sem encontrar 1 mísera lixeira.
    Agora, essa pancada de lixeiras de 5 em 5m tá muito estranha mesmo, a intenção é entrar pro Guinness ou superfaturar a instalação?

  4. leandro
    Posted 28/03/2007 at 22h27 | Permalink

    Em Curitiba, o ClearChanel já tomou conta das calçadas. E nem teve lixeiras adicionais para abrir caminho.

  5. Claudio
    Posted 28/03/2007 at 23h58 | Permalink

    Ah, cara ! Agora voce forçou na critica…pois eu sou a favor de a prefeitura entupir a cidade de lixeiras e evitar que esse povo porco que vive por aqui encha a cidade de lixo.Vejo sempre gente jogando lixo no chão, mesmo quando tem uma lixeira por perto.Jogam lixo da janela do carro, do banco da moto, do selim da bike…fazem basquete com o lixo e geralmente erra a cesta, jogam latinhas da janela de onibus…outro dia entrou um tomando cerveja no onibus.O motorista chiou e falou que era proibido.Pois bem o infeliz virou a latinha parado na catraca e jogou-a pra fora da janela, mesmo tendo um cesto de lixo na porta do busão…
    Quero mais é que coloquem cestas de lixo na cidade inteira, uma acada metro, se possivel e se venderem o espaço, não vejo problema.Deveriam é aplicar multas nesse povo porco que vive aqui…

  6. durruti
    Posted 29/03/2007 at 0h41 | Permalink

    Claudio, de acordo com tuas observações das atitudes de nosso povo, colocar mais lixeiras não vai fazer muita diferença. Quem pensa no lixo pode segurar o lixo um pouco e jogar mais tarde. Eu já estive em lugares onde as pessoas não jogam o lixo e o número de lixeiras é bem menor que em São Paulo.

  7. Anonymous
    Posted 29/03/2007 at 1h31 | Permalink

    Perfeito durruti. E ainda tem a questáo do bom gosto. Estas lixeiras espalhadas sem qualquer ordem são um horror. Alias, a Paulista esta com as calçadas todas esburadas, entradas de estacionamentos e garagens para todo lado, bancas de jornais do tamanho de shoppings…

  8. Anonymous
    Posted 29/03/2007 at 7h07 | Permalink

    Normalmente o contrato com essas empresas (como a Clear Channel) obriga elas a manterem o mobiliário urbano em ordem tirando essa responsabilidade da prefeitura que deixaria então a empresa explorar o mobiliário de uma maneira mais organizada sem que vire uma zona.

    Aqui em Curitiba todo o mobiliário urbano para o sistema de transporte (acredito que menos as estações tubo) pertence a Clear Channel que através do escritório do Arqt. Manoel Coelho, que pegou a idéia do pinheiro do paraná pra fazer os pontos de ônibus e taxi, desenvolveu algo até “único” para a cidade. Até o momento vem dando certo a tal parceria, alguns equipamentos que estavam atrapalhando o passeio vem sendo retirados, temos pontos de ônibus e taxi melhores e etc

  9. Claudio
    Posted 30/03/2007 at 0h39 | Permalink

    mas ainda é preferivel errar pra mais…ou seja, tentando acertar…
    eu também ando com lixo no bolso até encontrar uma lixeira, mas é bem melhor tem muitas lixeiras que nenhuma…e quanto aos buracos nas calçadas, isso é e sempre foi, responsabilidade dos proprietarios dos imóveis.O que se pode fazer a esse respeito é denunciar o imovel com calçada esburacada.Eu ja fiz isso e deu certo !

  10. luddista
    Posted 30/03/2007 at 3h40 | Permalink

    Claudio, esse é um dos paradoxos mais absurdos da cultura do automóvel: enquanto a manutenção das vias cabe aos cofres públicos, que gasta milhões a cada ano recapeando ruas, a manutenção das calçadas é responsabilidade do proprietário do imóvel.

    Sobre as lixeiras, a postagem apenas relacionou a atitude aparentemente “bacana” de instalar lixeiras com interesses gigantescos de exploração publicitária na cidade. Além disso, basta dar uma volta na mesma região (ou em outras partes da cidade) para ver a maior parte das ruas da cidade não possui estes equipamentos. Ou seja, em vez de distribuir melhor as liexeiras por toda a cidade, o investimento foi feito onde existe grande interesse (privado) de exploração da publicidade, e não necessariamente onde existe a demanda (pública) pelos equipamentos. Um abraço e obrigado pelas críticas.

  11. gira
    Posted 30/03/2007 at 4h43 | Permalink

    claudio, temos que defender a instalação das lixeiras sim, em todos os lugares. mas se você observar (apenas) a última foto, vai ver que são 8 lixeiras em meio quarteirão! na boa, vai até lá, rolou um surto! tipo “o ataque das lixeiras”! rsss…
    mas não sei se concordo com a “teoria da conspiração” aqui levantada, não acho que a real privatização do mobiliário público (?) seja a razão do fenômeno aqui exposto. acho que rolou um “ataque de crise” na galera do tipo: “- espeta tudo aí que nosso turna ta encerrando! vambora!”

  12. Ulisses Adirt
    Posted 30/03/2007 at 6h13 | Permalink

    Sempre sagaz. Ótimas observações. Parabéns.

  13. durruti
    Posted 30/03/2007 at 19h04 | Permalink

    Ontem, em frente ao conjunto nacional tinha uma moça saindo do orelhão e eu vi um cartão telefônico caindo no chão. Eu avisei a moça e ela me respondeu “já acabou!”. Para quem não é de SP, o conjunto nacional fica nesta Meca da lixeira pública. Havia uma a um metro (não estou exagerando!) do orelhão. De que adianta?

    Mudande de assunto, alguém mais percebeu o desaparecimento de lixeiras no metrô? Me disseram que estão com medo de atentados.

  14. durruti
    Posted 30/03/2007 at 19h08 | Permalink

    Lembrei de mais outro absurdo. Eu passo quase todos os dias na praça do por do sol (perto da praça panamericana). Depois dos finais de semana, aquilo é uma vergonha! A quantidade de lixo é impressionante. Uma pergunta, qual é a obcessão destes porcos com garrafas e cacos de vidro. Dá até medo de sentar.

    Eu lembro um dia que estava passando na parte de baixo da praça quando passou voando um côco a meio metro da minha cabeça! De onde vêm estas mentes brilhantes?

    Na sexta feira, se foi feita uma limpeza durante a semana, o problema é outro: o acúmulo de merda de cachorro. Tem tanta que você sente o cheiro no ar.

  15. Anonymous
    Posted 30/03/2007 at 19h28 | Permalink

    q q eh mobiliário urbano? uma empresa sozinha vai ter o direito de fazer a propaganda na cidade? vai aumentar a propaganda em papel? (vários entregadores e por isso várias lixeiras?)

  16. Anonymous
    Posted 30/03/2007 at 19h32 | Permalink

    vão colocar propaganda nas lixeiras? aff vai ficar pior

  17. durruti
    Posted 31/03/2007 at 22h15 | Permalink

    Propaganda nas lixeiras? Boa idéia! Joque o lixo no lixo…

  18. Posted 23/10/2008 at 8h35 | Permalink

    temos que preservar o meio anbiente

One Trackback

  1. […] Outubro 22, 2007 A empresa Bustv Brasil foi a primeira a se beneficiar do trânsito e da Lei Cidade Limpa. O trânsito mantém uma massa enclausurada todos os dias dentro dos ônibus, e a proibição dos anúncios externos garante a exploração privada dos espaços públicos internos (e externos, já que anúncios em equipamentos urbanos de propriedade do município são permitidos). […]