
Paulo Tannus, no Concurso Nacional de Idéias Ponte Cidade Jardim-Daslu
“O brasileiro não tem o hábito de andar na rua.” – Eliana Tranchesi, dona da Daslu, justificando a “primeira baixa” na rua Oscar Freire (a joalheria Tiffany’s fechou a loja de rua e está se mudando para um dos centros blindados de consumo na Marginal Pinheiros).
A quais brasileiros se refere a digníssima importadora de pechinchas? Quantos são? Será que estes brasileiros também não têm o hábito de andar pelas ruas quando visitam Paris ou Nova Iorque? Ou será que deixam de ser brasileiros quando viajam para o exterior?
Estranho… Vejo todos os dias um monte de gente nas ruas… Será que todos os que andam por São Paulo são austríacos? Será que eu também sou austríaco e não sabia?
A declaração saiu em uma matéria da Folha de São Paulo hoje, sobre a “mudança do centro de consumo de luxo na cidade” para regiões onde só é possível andar de carro.
O “gancho” para a matéria é a inauguração do “Parque” Cidade Jardim, o Palácio de Versalhes à beira do esgoto tupiniquim, prevista para março. E toda a população brasileira está convidada para a festa! Leve a farofa e a galinha, e não esqueça da vitrolinha.
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6 Comments
Oi rapaziada!!
Sou um frequentador das bicicletadas de Sao Paulo toda última sexta-feira do mes, talvez alguns de voces me conheçam ou se lembrem de mim.
Nao pude participar dos últimos encontros por uma boa causa:
Cansei da minha vida de cidadao marginalizado pela cultura de massa, do meu trabalho alienante, subi na minha magrela e fui atrás do meu sonho…
Hoje estou em Santiago do Chile, e minha aventura em bicicleta eu compartilho com todos voces no meu blog.
Convido a todos que amam a bicicleta a fazer uma visitinha e ver as fotos que tirei ao cruzar a cordilheira dos andes montado na “Revancha – A Nêga”.
O Apocalise Motorizado e a bicicletada.org já listam meus favoritos.
Visitem e comentem,
Desculpa tomar o espaço.
Um abraço a todos.
http://terroristalatino.blogspot.com
http://www.flickr.com/photos/terrorista
Luddista, eu concordo com a afirmação da dona moça. Brasileiro realmente não tem o hábito de andar na rua. Quem o faz é apenas porque ainda não conseguiu juntar moedas para comprar um carro. De uma certa faixa salarial para cima, as pessoas simplesmente se recusam a pôr o pé na calçada.
Esses dias, após um happy-hour com colegas de trabalho, num bar a algumas quadras de onde moro, eu (o único sem carro) insisti que queria voltar a pé, pois morava perto. Não teve jeito. Gastei todo o meu latim – mais um pouco e viraria briga – e as pessoas estavam praticamente se ofendendo por eu não aceitar uma carona de bolha. Então, para evitar desentendimentos, acabei aceitando. Não deu outra… demorou quase meia-hora (com o trânsito e trajeto ampliado que os carros são obrigados a enfrentar), sendo que a pé eu levaria de 10 a 15 minutos. Com mais prazer, mais liberdade e mais saúde.
Eu não estava recusando a carona por educação ou desprezo, mas porque simplesmente eu TINHA o meu próprio meio de transporte, assim como eles tinham o deles. Parece que não entra na cabeça das pessoa que as pernas são SIM um meio de transporte, dos mais eficazes, por sinal. Renegam um passado de milhares de anos, em que as pernas nos carregaram com grande eficácia, em favor da utilização burra de enormes bolhas de metal que se movem lenta e desajeitadamente pelas ruas entupidas da cidade.
E isso leva a uma alienação absurda, as pessoas nos seus mundos isolados começam a imaginar que a rua é uma verdadeira selva, perigosa e insondável. Não percebem que é justamente essa mentalidade que leva ao abandono das ruas, que por sua vez, aí sim, abre espaço para a marginalidade e degradação.
Resumindo numa única e apropriada palavra: MEDA!
Eu, com minhas boas pernas e amante de uma pernada(caminhante assíduo), não troco a liberdade de andar livre pela rua. Tenho carro, mas o uso esporadicamente. À pé voce vê a cidade diferente, aprecia os cantos que ninguem mais vê, quando está atrás de um volante. Sobre isso, posso afirmar que: faz toda a diferenca.
Abraco
Putz, e nem é de bom gosto… Adorei o desenho!
Adorei o termo “carona de bolha”, estou tomando para uso próprio.
nos vemos na bicicletada