
Entre as propostas para “melhorar o trânsito” de São Paulo, a mais absurda é também a que parece ser mais consensual entre “especialistas”, administradores públicos, mídia e população: proibir o tráfego de caminhões no centro expandido da cidade durante o dia.
As opiniões mais moderadas defendem que a restrição seja válida apenas nos horários de pico ou em algumas áreas da cidade. Os extremistas querem proibir caminhões das 7 da manhã até as 11 da noite, em todo o centro expandido.
Se a medida vingar, entregadores de leite, frutas, verduras, bebidas, alimentos e todos os tipos de produtos industrializados deverão abastecer o comércio da capital de madrugada. O que significa que o comerciante também deverá contratar funcionaros extras ou readequar seus horários para receber as entregas.
Como se não bastasse mais uma vez penalizar o pequeno comerciante, o tráfego de caminhões durante a madrugada é uma insanidade do ponto de vista da qualidade de vida.
Para que a minoria da população possa circular com mais facilidade pelas ruas, a maioria passará a ter barulho de caminhão na porta de casa durante a madrugada. Os que moram perto de pontos comerciais também escutarão sons bastante agradáveis como o empilhamento de caixas de cerveja ou a abertura de portas de metal.
O abastecimento da cidade é uma função pública desepenhada por veículos motorizados. O transporte de pessoas em automóveis é uma escolha pessoal.
O paliativo proposto é tão insano que não prevê uma série de outros serviços fundamentais desempenhados pelos veículos pesados.
Como ficam as feiras livre? E quem comprar um produto nas Casas Bahia, ou um sofá, também terá que receber a entrega das 23h às 6h da manhã? Mudanças de casa também deverão ser feitas de madrugada? Ou será que todos estes constituirão uma nova exceção, mais uma autorização paga a ser concedida por algum órgão governamental?
A produção do consenso e a criminalização dos caminhões passa, mais uma vez, pelo desvio de foco que sempre livra os motoristas e proprietários de carros da responsabilidade pelo caos urbano ou pela poluição. Para não resolver o problema, basta botar a culpa nos caminhões, nos ônibus, nos acidentes, na CET, nos semáforos desregulados, na indústria das multas, nos carros velhos… E assim é possível abrir espaço (ao menos conceitual) para os 800 novos carros que entram em circulação todos os dias.
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22 Comments
O SUV movido à diesel – moda em SP – que leva o junior até a escola terá que obedecer este horário?
Ah, não é considerado caminhão?
Não deixa as centenas de caixas de leite circularem de dia no caminhão, não. Deixa o junior ir para escola fazer fila dupla com o caminhãozinho do papai.
Qual é a lógica de escolha desses horários? e a leia do silêncio (entre 22h e 06h da manhã – rasgada e jogada no lixo? ) afinal a Mercadoria precisa circular. A única lógica dos especialistas: consuma até morrer!!
E fora do centro expandido, a área que a CET, não calcula os congestionamentos, que a prefeitura não cuida dos buracos, não melhora as calçadas para a locomoção dos pedrestres. É dá ponte para cá, a realidade é outra…
Quanto aos entregadores/motoristas de caminhão, serão todos terceirizados(como já o faz, as casas bahia, com os entregadores e montadores de movéis/eletrodomésticos – vai se espalhar por toda cidade), às favas os direitos trabalhistas, historicamente conquistados pelos brasileiros ( afinal, somos todos empreendedores).
Em ano de eleições, só midiáticas soluções: Pão e circo, já ensinavam os Romanos.
Mais um contorno, e vão adiando a grande cirurgia invasiva. E no primeiro trimestre de 2008 a venda de veículos cresceu 31% em relação a 2007. Quando finalmente o carro for vilão pelo senso comum, sabe-se lá quantos anos conseguirão adiar, prometo não tripudiar, não “chutar cachorro morto”, rs.
Acho extremamente válida essa medida. Pelo simples fato que estão se esgotando as opções até descobrirem quem é o verdadeiro culpado. Primeiro a culpa era dos ônibus, depois dos caminhões, daí a culpa é do motoqueiro que morre no trânsito.
Contabilizando, um acidente de moto gera uns 20 km de congestionamento, como morrem um por dia, e caem uns 5 no mínimo que ainda sobrevivem, pelo menos uns 100 km é culpa da moto, e por aí vai.
Daqui a 40 dias, quando perceberem que o trânsito não melhorou picas, sem os caminhões, ou enfrentam o principal causador (os carros) ou procuram outros vilões.
Será que as bikes serão os próximos? Não duvido, do jeito que esta aumentando o número de ciclistas nas ruas, logo colocarão a culpa em nós também.
Estou com você André.
Quero mais é ver o circo pegar fogo. Enquanto não alcançarmos o caos total, aquele dia crítico quando, de repente, nenhum carro conseguirá sair do lugar, nenhuma medida efetiva será tomada.
Em Curitiba a moda é a construção de binários (transformação de duas ruas de mão-dupla paralelas em ruas de mão-única, uma em cada sentido) para “melhorar o fluxo”.
Que seja. Deixe que façam as cagadas, estraguem a cidade, acomodem como puderem o segundo milhão de carros, dane-se. Eu estarei montado na minha bicicleta, rindo muito.
Aliás, já vingou: http://noticias.uol.com.br/ultnot/2008/04/01/ult23u1647.jhtm
No mesmo dia que a barraca do circo desabar, bicicletada express de celebração, com fogos e tudo mais.
Abraçõs
Seguindo a logica deles, uma das próximas medidas será proibir os carros com mais de 10 anos de circularem…mais só no centro expandido, é claro. E em torno da Daslu, onde se encontram…
Caramba, confesso que sempre defendi a idéia de limitar o tráfego de caminhões durante o dia e limitar a carga/descarga nos horários noturnos, mas lendo o que vc escreveu refaço minha opinião.
Enquanto não atacarem o ponto crucial do problema – a produção de veículos a rodo e o vício da população no transporte individual – não vamos sair do lugar. O transporte público de SP não é dos melhores do mundo, mas é bem razoável e dá para circular pela cidade numa boa à pé, de ônibus, trem, metrô e taxi. Eu estou há três meses sem carro e circulo em horarios variados sem problema. Vez ou outra pego um onibus lotado, mas isso nao mata ninguém. A classe mérdia tem é que perder essa mania de achar que carro confere status….
abraços!
10 soluções praticas :
1 )rodizio pra cidade toda ;(pq eu que moro no centro expandido, pago IPVA e impostos imbutidos não posso usar o carro e quem mora fora do centro expandido e também agas impostos pode ?)
2) pedagio no centro expandido a 10 paus por carro ! e se rodar nas marginais, pedagio dobrado!
3) IPVA mais caro !
4)Combustivel mais caro !
5) fiscalização e retirada de carros velhos !
6) taxação dobrada para os carros novos, na hora da venda !
e com o dinheiro arrecardado acima :
7) implantação de mais corredores de onibus, mas sem as invasões de taxis, policia, ambulancias, carros oficiais…
8) mais metrô !
9) mais trens !
e finalmente
IMPLANTAÇÃO DE CICLOVIAS EM TODAS AS GRANDES AVENIDAS DA CIDADE !
tá bom assim ?
Fique tranquilo, Claudio.
A respeito dos pontos 3, 4 e seis, o próprio mercado dá um jeito. A exemplo do que aconteceu no mercado de subprime nos EUA, o excesso de crédito no setor automobilístico está formando uma bolha que, quando estourar, vai levar pro ralo muito mais que o mercado de carros.
Perdoem o economês.
olá, cláudio. a cidade está passando por um processo de ocupação abusiva por metro quadrado. e isso inclui carros, pessoas, comércio e vida espremida. onde tudo isso não vai parar? há culpados no processo? segue link de uma reportagem publicada na revista exame sobre o assunto: http://planetasustentavel.abril.uol.com.br/noticia/cidade/conteudo_274797.shtml. abraços, paula dume – gestora de comunidades – planeta sustentável
Olha só este vídeo que mostra, cientificamente, que não são necessários acidentes ou caminhões para que o transito fique lento em engarrafado. Bastam apenas mais carros!
http://www.youtube.com/watch?v=7wm-pZp_mi0
A pesquisa é de Yuki Sugiyama, da Universidade de Nagoya.
Completamente absurdo. Uma inversão de valores. Pois justamente onde o uso do veículo motorizado é mais justificável (carregar grande quatidade de mercadorias) ele é penalizado para benefício daqueles que usam o veículo motorizado particular de forma irracional (locomoção individual). Para ver como os “administradores” do que é público ainda estão anos-luz de qualquer ação que faça sentido.
Gunnar e quanto aos pontos 7,8 e 9…
se não fizerem não tem problema, pelo menos tiraram os carros…
quanto ao subpreime, não tinha pensado nisso, mas quando a ficha cair e o povo se tocar que tem um carro de 8 anos na mão e nem terminou de pagar os 3 que comprou (levou e pagou um, sacou ?) vai ver a besteira que fez…
mas falando sério, comentei com uns amigos no trabalho o que escrevi acima e quase fui linchado.
pelo bem deles e que se f**a o resto, eles concordam que caminhao tem que sair das ruas.minha pergunta ficou no ar :
e quem vai distribuir a comida que voce vai comprar no supermercado ?
– usa van ! responderam…
e quem paga a conta de o distribuidor ter que compra duas ou tres vans pra supir a carga de um caminhão ?
-…
voce, seus burros !
ou eu tô errado ?
acabaram com a cpmf e o governo fez o quê ? aumentou outros impostos…
quizeram simplificar as tarifas bancarias e aconteceu o quê ?
o povo sempre paga a conta no final…
vão tirar o caminhão e vai acontecer o quê ?
abraços a todos !
Paula Dume !
eles escreveram “embora seu custo de implantação seja altíssimo” sobre a implantação do metrô !
mas esquecem de citar os números das perdas que o transito causa em São Paulo (citam nos euas que é mais bonito e xique).
o problema é complexo, mas passa por :
-aumento do poder de credito(não disse de compra) do brasileiro medio
– que gera aumento nas vendas
– que gera aumento na demanda
– que gera aumento na industria
– que gera aumento de emprego
– que gera aumento o poder de credito…
enquanto isso o governo, ou a falta de, não faz nada pra melhorar e ainda vem gente falar que o problema só será resolvido a longo prazo !
então comecem a resolver agora, pra “a longo prazo” a gente ter o probelma resolvido.
muita teoria não resolve problemas !
Arnoud
ta parecendo os semaforos e as marginais em sampa !
vc ta no transito desesperado com a lentidão, xingando meio mundo…aí, quando o transito anda, não tem nada la na frente que justifique, foi só um engraçadinho que resolveu mudar de faixa e ao inves de acelerar, freia no meio da faixa, num vai nem volta e ai , duas faixas ja pararam, ai o cara da faixa que ta sendo invadida, tenta mudar de faixa e não vai nem volta, mas mais duas faixa ja estao paradas…
ou então num farol da av. paulista, o cara simplesmente esta lendo seu jornal, daqueles distribuidos no farol, e não ve que o farol abriu e o transito andou, leva de tres a cinco segundos pra reagir e quando reage o farol ja fechou de novo e ele então volta a ler o jornal, sem antes mandar a m***a o cara do carro de traz que ta xingando e buzinando, e invadindo a faixa ao lado, e ai ja são duas faixas paradas…
e por ai vai…
falta é educação para o povo !
aprender a guiar um carro é facil, dificil é dirigir direito !
Ontem eu vi o filme Crash e lembrei dos problemas que discutimos aqui. Los Angeles é uma cidade deshumana – e boa parte da culpa disso é que é uma cidade construída totalmente em função dos carros, como é o padrão na costa oeste.
Eu não consigo deixar de pensar que existe algo mais na raiz deste problema, mas que tb é fonte de tantos outro problemas no Brasil: a corrupção. Sim, pois não consigo crer que esta aglomeração insana cada vez maior de pessoas em áreas tão pequenas, sem nem mesmo investimento em transporte de massa como metrô (que deveria ser uma solução última) seja apenas fruto de ignorância e incompetência.
Vide a cidade de Niterói onde os governos do PT/PDT liberaram o gabarito num região já pesadamente ocupada. Resultado: o processo de copacabanização está em franco avanço.
Incrível como as pessoas ainda compram apartamentos naqueles prédios de ruas estreitas e onde mesmo sem boa parte dos empreendimentos novos estarem prontos, já se leva muito mais do que seria admissível para se deslocar.
Fico pensando se um dia alguém não vai se revoltar de verdade e ir cobrar destes políticos o tempo que deixou de passar com sua família, aqueles momentos em que poderia estar em casa vendo seu filho dar os primeiros passos.. ou passando mais tempo com sua mãe idosa ou ainda namorando (que é algo muito bom!).. mas o nosso povo é passivo demais para isso. Mais fácil achar um que votar no cara que liberou para ele fazer aquela obra irregular avançando alguns metros sobre a calçada.
No momento estou vivendo uma realidade que faz destacar ainda mais esta triste realidade da maioria das cidades brasileiras. Estou de passagem por Munique e é incrível o que um pouco de bom senso e de se exercitar pensar no benefício das gerações futuras pode fazer pela qualidade de vida de uma cidade.
Tenho pedalado nestes dias após a minha chegada pelas ruas e pude ver o que tinham me dito… uma cidade pensada levando em conta o ciclista. Desde a sinalização (sinal luminoso com símbolo de uma bicicleta) até os rebaixamentos de meio fio.. Em alguns trechos tem até pista dupla! Se fazem uma obra que interrompe a ciclovia eles sinalizam que naquele trecho a calçada deve ser compartilhada entre ciclista e pedestres e colocam tb, nestes casos, rampinhas de madeira nos trechos que vc saí e entra na ciclovia quando o desnível é maior.
Quase todo mundo anda com a magrela por aqui.. Para as coisas corriqueiras do dia a dia. Gente bem vestida seguindo para o trabalho (verdade que o clima ajuda). Por duas vezes quase parei e tirei foto de umas vovós que deviam ter uns pra lá de 70 anos, uma já devia ter uns 80 anos pelo menos! Mas receei que elas não entendessem bem.. rs
Me chamou a atenção uns modelos de bicicletas voltados para a vida na cidade, com proteção especial na região da corrente para não sujar a roupa. Muito comum aqui também é o uso daquele sistema para acender faróis e lanterna traseira usando dínamo.
Algo que não esperava foi que muitos não usam capacete (mais de 90 %), se bem que o uso aqui é muuuiiiiito maior que no Brasil. O uso de farol e lanterna traseira me pareceu mais comum que o de capacete.
Claudio, não só a matéria da exame como uma série de medidas não sai do papel, ou melhor, da teoria. Concordo com você quanto à bola de neve desenfreada de problemas. Citei a matéria apenas como mais um link para o assunto. Abraços.
Concordo com umonte de coisas ditas, agor ao cidadão que disse que raramente pega ônibus lotado em SP é brincadeira né?! Chega de fanfarronice.
Qualquer ser que trabalhe pro lado do centro expandido e sai da zona leste da cidade por exemplo das 6as 10 da manhã os metros e onibus são extremamente lotados, onde para se entrar é necessário empurrar e expremer quem já está la dentro.
E a volta para a casa é a mesma coisa, 100% lotado.
Concordo que cmainhões não devam circular em horário de pico, eles prejudicam o transito e não respeitam normas nem leis (ou vão dizer q todos os caminhoneiros andam na direita?!)
Acho que a resposta está em incentivar caronas, melhorar os onibus (passar mais carros da mesma linha, e não um a cada meia hora), duplicar as linhas d emetro já existentes (não adianta construirem mais 30 estações sendo q todas elas darão na sé que dara o embarque para a linha azul q dá acesso a linha verde que é onde se encontram a maior parte das empresas.Tinha q se contruir uma linha nova ao lado das já existentes para dividir o fluxo, uma especie de redundancia.).construir ciclovias com segurança de verdade, senão vc começa o trajeto de bike e acaba a pé.
E outra coisa acabar com as motos. Estes sim atrapalham, estragam e stressam o transito.
E pro pessoal que defende aumentar taxas de venda de carros e tals, se não tem condições de comprar um não tentem prejudicar os que tem.
Tenho um carro, movido a alcool e deio ele em casa todos os dias, vou trabalhar com meu vizinho e volto com ele. Quando ele não vai vou de ônibus e metro, e aos fins de semana uso o carro para viajar ou passear. Basta as pessoas serem solidárias primeiro.
Blz. Paula, eu entendi o recado e a materia, mas é tanta teoria que parece que não sobra tempo pra pratica.O que mais tem é teorico dando palpite (que eu chamo de opinólogos de plantão, aqueles com mestrado em achismo e doutorado em pode ser feito!)
e muito pouco pratico botando a mão.
abçs
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