
reprodução: manchetes da mídia motorizada
Na primeira semana em que os universitários colocaram seus carros nas ruas após a série de medidas eleitorais emergenciais colocadas em prática por Moe, Curly e Larry, tudo voltou ao normal: 1/4 da cidade parada no horário de pico.
Aplicada estrategicamente no mês de férias escolares, a campanha de criminalização dos caminhões fez o paulistano acreditar que o “problema do trânsito” tinha como razão o malvado transporte de cargas.
Nada como uma semana de realidade para acabar com a fantasia. Com a volta dos universitários motorizados e das bolhas de transporte escolar individual, tudo voltou ao “normal”: mais de 200 km de congestionamento no horário de pico.
Já que não pega bem botar a culpa em universitários ou mães e pais que levam seus pimpolhos de carro ao colégio (e à natação, escola de inglês, aula de balé…), a semana do paulistano motorizado teve um novo-velho vilão: a chuva.
O culpado da vez
Mais barulho nas madrugadas
Os carros atrapalham os caminhões
Amém, automóvel
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8 Comments
O argumento da chuva como culpada pelo caos urbano não é novo. As enchentes são um bom exemplo disso. Basta alagar os bairros empobrecidos, erodir vertentes íngremes ocupadas pelos excluídos do mundo que o Estado logo elege a precipitação como vilã. Quantos piscinões foram construídos na cidade, quanto dinheiro foi jogado fora nesta canalização do Rio Tietê para manter o “status quo” do consumismo desenfreado materializado, sobretudo, no transporte individual motorizado?
O que mais se ouve é aquela frase batida “nossa, ta maior transito por causa da chuva”, eu sempre respondo “chuva não causa transito, e sim os carros que estão empacados nas ruas onde chove”. Sexta feira andei normalmente da minha casa na Vila Madalena até a minha namorada na Saúde no “horario de pico”, sem stress, sem congestionamento (pra mim) e com chuva, nd que um banho quente e uma maquina de lavar não resolveu rsrsrs..
“nossa, ta maior transito por causa da chuva”
Sim, chuva de carros.
Luddista,
logo mais, vão colocar a culpa em Oxumaré, afinal a classe média ontem (09) e hoje ( 10), estão parados no trânsito, na porta de entrada dos estacionamentos dos (quase 80) TEMPLOS de Consumo ( shop Centre).
“Já que não pega bem botar a culpa em universitários ou mães e pais que levam seus pimpolhos DE CARRO ao colégio (e à natação, escola de inglês, aula de balé…)”. Será que algum dia veremos pais da classe média pegando ônibus com seus filhos, coisa tão comum lá fora?
Ops, Leandro,
Estou nessa amanhã por volta das 10h30( de ônibus), levando minha filha na aula de capoeira…(fotos amanhã no blog)
p.s. conforme o IBGE, sou Classe média.
Leandro, grato pela correção precisa. A omissão do “de carro” poderia dar a entender que a culpa é do Pedalante…
Saiu hoje na folha que a CET não tem divulgado os resultados negativos do trânsito. O link abaixo é para assinantes. Segue a manchete.
CET se recusa a divulgar dado desfavorável.
Companhia usa estratégia de marketing para inflar benefícios de restrição a caminhões, bandeira política de Kassab
Empresa de trânsito só divulga análise que aponta melhora do congestionamento; é apenas um “complemento”, justifica assessoria do órgão.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1108200801.htm
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[…] é parte do “pacotão do trânsito” da prefeitura, que tem como expoente midiático a inócua proibição de caminhões e como objetivo maior a melhora do fluxo de veículos […]
[…] A indústria automobilística brasileira tem muito o que comemorar. Alimenta um sistema que mata 4 pessoas por dia em acidentes e mais 8 por doenças respiratórias. Em São Paulo, a cidade que não pára , os engarrafamentos voltaram a passar dos 200 km na semana passada (devidamente atribuídos a São Pedro). […]