Sem líderes, sem heróis

Trecho de entrevista com Raquel Rolnik, indicada pela gira:

Revista Getulio: Sua tese de doutorado foi sobre a cidade e a lei. Tomando como exemplo os casos de Bogotá, na Colômbia, com Enrique Peñalosa, e de Curitiba, com Jaime Lerner, prefeitos carismáticos que deixaram um legado, qual é o papel da lei na criação de modelos acima da iniciativa de uma pessoa em querer mudar a cidade?

Raquel Rolnik: É importante lembrar que não teria acontecido a intervenção Jaime Lerner em Curitiba sem o plano diretor da cidade elaborado antes dele. Como também não teria acontecido a de Peñalosa em Bogotá sem o enorme esforço de planejamento feito antes na gestão do Antanas Mockus [prefeito de Bogotá de 1995 a 1997 e de 2001 a 2003].

Foi Antanas quem construiu a cultura do espaço público, quem investiu forte num planejamento orientado. Depois veio o Peñalosa e realizou outros investimentos na mesma direção. É modelar o processo de Bogotá, cidade que se transformou em algumas gestões, sob a liderança sucessiva de dois prefeitos, num contexto democrático e com participação da cidadania. Mas não existe projeto de uma única pessoa. Cidade é sempre produto coletivo, essa é sua natureza. Quem disser “eu fui autor de uma cidade” mente.”

A entrevista pode ser baixada na íntegra aqui.

6 Comments

  1. Posted 08/10/2008 at 21h04 | Permalink

    Vc tb pode ouvir a Professora,

    http://www.unmultimedia.org/radio/portuguese/detail/7434.html

  2. Posted 08/10/2008 at 21h41 | Permalink

    Será então que os Brasileiros estão dispostos a mudança? a troca? ao compartilhamento do espaço, independente de sua classe?

  3. Fabrício
    Posted 09/10/2008 at 9h26 | Permalink

    Tem entrevista do Jaime Lerner na revista Terra Magazine. Ele, na contramão dos que defendem o metrô, diz que a solução para a mobilidade urbana está na superfície. Não sei até que ponto a solução está na superfície, mas vale a pena ler o que o ex-governador do Paraná diz, já que o seu sistema de transporte é tão elogiado por aí.
    A entrevista está no link: http://ecourbana.wordpress.com/2008/10/08/jaime-lerner-o-futuro-esta-na-superficie/

  4. David T. Castro
    Posted 09/10/2008 at 10h50 | Permalink

    A entrevista de Lerner tem suas verdades, mas não concordo com corredores de ônibus. Já que vai fazer, faça direito, ciclovias e VLTs, sei pela experiência do corredor de trólebus ABD que estes são barulhentos, poluidores do ar e a idéia é obsoleta. Chega de beneficiar as montadoras!

  5. Posted 09/10/2008 at 17h53 | Permalink

    Na gestão anterior de Lerner, a de Ivo Arzua, o próprio Lerner foi quem coordenou boa parte do plano piloto da cidade, visto que tinha papel de destaque no IPPUC.

  6. Daniel Moura
    Posted 09/10/2008 at 23h07 | Permalink

    Ótima entrevista com a Raquel Rolnik. Li a entrevista com Jaime Lerner. Meu cérebro de simples mortal não consegue compreender tudo que ele diz, para poder opinar se concordo ou não. Mas tenho a impressão de que aquele cara tem a cabeça além do nosso tempo.

2 Trackbacks

  1. By Hot Hell « Pedalante on 24/10/2008 at 20h27

    […] de discutir, qual a cidade que temos, qual a que queremos. Só ficamos no imediato, no aqui e agora.( essa filosofia do pragmatismo, ainda nos levará ao […]

  2. By Formatos e valores « Outras Vias on 11/08/2010 at 13h05

    […] preciso considerar os múltiplos aspectos e não simplesmente classificar pessoas como vilões ou heróis. Ou cidades como […]