Na manhã do Dia Sem Carro, faixas espalhadas pela cidade de São Paulo lembravam que as patologias do uso excessivo de automóveis atingem outros órgãos além do pulmão, mas que existe tratamento. No espaço urbano, a infecção se alastra com rapidez, ganhando força com maus hábitos alimentares como a Redução do IPI, a pavimentação de várzeas com finalidade eleitoral ou a total negligência com os modos de circulação ditos “alternativos”.
Desperdício de espaço, isolamento, solidão, angústia, espalhamento e privatização da cidade são alguns dos sintomas mais visíveis. Nos casos mais graves, a Carrodependência pode levar à total fragmentação do tecido social e consequente morte das cidades.
A doença é de difícil detecção: depois de alojado no corpo da cidade, nos gabinetes de palácios e nos tubos de televisão, a Carrodependência provoca delírios, distorções na visão, febres e alto consumo de energia e recursos naturais.
A Carrodependência Institucional, um tipo avançado da doença, tem como principal sintoma a dificuldade de encarar o presente: pacientes crônicos geralmente são vistos em telejornais cantarolando promessas para um futuro distante, falando de um passado remoto, de terras longínquas ou de assuntos secundários. O Carrodependente Institucional é o que tem maior dificuldade de se reconhecer doente perante a sociedade.
Com alguns meses de infecção, o Carrodependente Institucional pode desenvolver outras doenças mais comuns, como a Esquizofrenia Mercadológica, a Logotipia Crônica e a Paranóia da Carreira Política.
A Carrodependência tem cura, mas não pode ser encarada como um simples resfriado. O tratamento geralmente requer intervenções duras que afetam os privilégios de algumas células minoritárias. Médicos e pacientes precisam de auxílio psicológico e não devem titubear ao enfrentar o chororô das minorias. Mas é importante lembrar que cada ataque aos tecidos podres pode resultar na multiplicação de imagens e conceitos distorcidos, dificultando ainda mais o combate às causas da Carrodependência.
Alguns enxergam saídas…
… outros se escondem delas
Mais fotos / fotos brunogola [1] [2] [3]
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Praticar o “cada um por si” no trânsito







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8 Comments
Pelo menos em Sampa apareceu alguém para divulgar a carrodependência e seus malefícios. Aqui em Recife, pouco se notava o dia mundial sem carro. A divulgação e o apoio oficial não existiu, e a comunicação foi quase marginal. Os políticos daqui querem nossa cidade igualzinha a de vocês! Ao invés de retirar carros, constroem mais avenidas, pontes e viadutos! Oh doencinha viu!
Doutor, qual o meu diagnóstico?
Será que isso tem cura?
Meu caso é grave?
Abração
Gabriel Dread
PArceiros, estou divulgando o texto de vocês de carrodependência.
Aproveitei uma das fotos para fazer um texto sobre a arquitetura feiz e triste do petróleo.
Dê uma olhada, no Blog do Chicão
http://chicaodoispassos.blogspot.com/
bjs
chicão
Praticar o cada um por si no trânsito
http://classemediawayoflife.blogspot.com/2009/09/dica-030-praticar-o-cada-um-por-si-no.html
Carrodependência?
Só posso falar por mim, mas na real? Depois de trampar o dia inteiro, ter que ir pra faculdade e depois pra casa (uma média de 60 km rodados/dia) no metrô lotado? Nem rola. Se você pega carro pra não andar 2/3 estações de metrô você é burro, gasta mais dinheiro e tempo. Mas sem querer ofender, generalizar também é burrice ahn?
cura tem…, mas enquanto poder publico não proibir estacionamento na rua e disponibilizar um sistema de transporte coletivo confiável e o macaco humano identificar o objeto carro apenas como uma maquina, não o pênis dele, que não atrás a libertada tão ressaltada nas propagandas do objeto, não vai rolar….
sds
..::IAQUE::..
Stop!
a vida parou
ou foi o automóvel?
(grande Drummond)
Amei o texto! Publiquei no nosso blogue Mobilidade Humana (sim, em contraponto à Urbana)!
Abs
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