
A rua Augusta é a subida menos íngreme para quem vai do centro da cidade até a avenida Paulista (o ponto mais alto de São Paulo grande obstáculo geográfico na região central de São Paulo).
Em qualquer cidade que valorizasse a mobilidade humana, esta rua teria calçadas largas e uma faixa para bicicletas, facilitando a subida de quem se desloca sem queimar combustível.
Em São Paulo, no entanto, o melhor caminho para atravessar o espigão da Paulista tem estacionamento de veículos permitido durante a maior parte do dia, nos dois lados da rua, em boa parte de sua extensão. As calçadas são bastante estreitas para o número de pessoas que passa por ali e (óbvio) não existe ciclovia ou ciclofaixa.
A rua vive com trânsito lento e os carros (em movimento e estacionados) atrapalham a vida dos passageiros de ônibus, ciclistas, pedestres e carroceiros.
Tirar espaço público consumido por propriedades privadas de alguns para melhorar as condições de mobilidade e vida de todos é tarefa difícil, mas remédios amargos também curam doenças.
Infelizmente, os habitantes de São Paulo preferem ficar parados no congestionamento, acreditando em panacéias tecnológicas (que servem apenas como paliativo ou forma de enriquecer quem as fabrica e implanta).
A solução para a mobilidade urbana em São Paulo não é técnica, é política: os carros têm que perder espaço. E têm que perder espaço não apenas para dar lugar a outros carros, mas para que ônibus, bicicletas, pedestres e cadeirantes tenham melhores condições de locomoção.
Carrocracia
Remédio para as calçadas estreitas
Mais algumas migalhas
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6 Comments
Olá Luddista,
só para atualizar, o ponto mais alto da cidade de são Paulo,é o Pico do Jaraguá, com 1.135 metros de altitude acima do nível do mar. A avendia Paulsita, está a 980 metros de altitude.
Dados do IBGE e Dep. de Geografia da USP.
Engraçado é ler os comentários dos leitores nessas matérias do Estadão.
“Fala-se em problema de excesso de veículos novos. Isso não é problema, isso é sinal de prosperidade. ”
AAAAAAaaaaahuahuahuahuahua!!! Então fica lá paradão no congestionamento, sr Próspero. Cada uma…
No mais, bota-se a culpa nos ônibus (!!!), nos caminhões, nos táxis, nos veículos “irregulares”, na prefeitura, no CET. Ninguém admite que é diretamente culpado, pelo simples fato de sair de casa de carro.
As pessoas (viciadas em carro) NÃO CONSEGUEM ENTENDER que, com esse número de carros na rua, o trânsito engarrafado não é uma distorção, uma falha de planejamento. É conseqüencia direta do uso de carros. Manda esse povo pra Berlim, cidade modelo de país de primeiro mundo, planejamento exemplar, punição, organização, ciclovias…. é tudo engarrafado do mesmo jeito.
Questão de Geometria. Tamanho de um carro X quantidade de motoristas / espaço disponível = engarrafamento.
Quaisquer medidas quee a prefeitura tomasse para aliviar o trânsito, envolveriam, antes de mais nada, tirar carros da rua. Mas isso ninguém quer ouvir.
Ontem, no Jornal da Record, passou um tal de “Para São Paulo não Parar”.
Ai mostrou um olheiro da CET que fica no topo de um prédio na paulista.
O Repórter: “O que é o que mais atrapalha?”
O Olheiro: “Os Ônibus que ficam parando para pegar e deixar passageiros, e demoram demais”
Perfeito, temos a solução, manda chumbar as portas dos Ônibus!
“Una piedra en el camino
me enseñó que mi destino
era rodar y rodar…
Después me dijo un arriero
que no hay que llegar primero,
pero hay que saber llegar.” – [EL REY – Clássico Mexicano]
,_~o
_-\_<,
(*)/’(*)
Impressionante mesmo…
Só mudaria o título do post para:
Quem NÃO atrapalha o trânsito?
Muito bom comentário que ouvi sexta na CBN:
– Em SP tem carro que não paga mais IPVA, mas em compensação vai pagar IPTU!!!
O pior é que isso é generalizado. Não é só São Paulo não. Trabalho em Barueri (Alphaville) e como o bairro não foi projetado para transporte coletivo (“coisa de gente pobre”) os trabalhadores que vêm e voltam de São Paulo utilizam carros. Como muitas empresas se mudaram para cá aproveitando incentivos fiscais, ofereceram serviços de onibus fretados. No começo do ano os fretados foram proibidos de pararem na avenida proncipal (Al Rio Negro) pois “atrapalhavam” o fluxo dos carros (de acordo com o Ciretran Barueri, o CET local). Todos tinham que acessar uma avenida perpendicular e pegar lá os passageiros, que eram obrigados a andar até o local. O mais cômico é que a maior parte dos fretados pegam o pessoal às 17h, enquanto que a classe motorizada sai somente às 18h horário que formam filas até dentro dos estacionamentos dos condomínios.